Capitalistas e industriais (1870-1914)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198799.03Palavras-chave:
burguesia industrial, fábricas, proprietários, Portugal, 1870-1914Resumo
Este artigo tenta dar um significado concreto à expressão «burguesia industrial», estudando em pormenor a primeira geração industrial, nascida com o surto económico da década de 1870, debruçando-se depois sobre o grupo que enriqueceu durante a década de 1890. O artigo divide-se em três partes: na primeira são descritas as fábricas existentes em 1881, bem como os seus proprietários; na segunda é analisada a forma como as empresas evoluíram ao longo dos trinta anos subsequentes e quais os sectores e personalidades que então surgiram; na terceira é apresentada a caracterização dos industriais seleccionados. Alguns factos ressaltam imediatamente desta investigação: muitas das fábricas oitocentistas foram obra de gente próspera, com fortuna feita no Brasil, e de estrangeiros que para Portugal trouxeram os seus capitais e conhecimentos. Por outro lado, não existia um grupo coeso, com tradições e cultura comuns, mas sim vários grupos, dentre os quais se podiam destacar o dos grandes negociantes e financeiros que, entre os seus investimentos, haviam construído algumas das maiores fábricas do País e a gente mais modesta, vivendo exclusivamente dos lucros fabris. Finalmente, procurou-se refutar a tese de que a «mentalidade» dos industriais teria sido um dos principais travões ao desenvolvimento do País.

