José Maria Eugénio de Almeida, um capitalista da Regeneração
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198799.04Palavras-chave:
José Maria Eugénio de Almeida, atividade económica, burguesia portuguesa, enriquecimentoResumo
Com base na ampla documentação do seu arquivo pessoal, são estudadas aqui algumas das principais facetas da vida e da actividade económica de José Maria Eugénio de Almeida, um dos grandes capitalistas do terceiro quartel do século XIX. Pretende-se, através desta análise detalhada de um caso concreto, verificar algumas das noções correntes na historiografia portuguesa a propósito do problema do atraso económico oitocentista e do papel desempenhado pela burguesia nacional nesse atraso. Nalguns aspectos, o exemplo estudado ajusta-se razoavelmente bem a essas noções, noutras não. Eugénio de Almeida deveu em boa parte o seu enriquecimento inicial a negócios realizados à sombra do Estado, pertenceu à grande burguesia financeira que alegadamente medrou durante as décadas de 1840 e 1850, investiu fortemente na compra de terras e participou muito pouco em actividades de cariz «desenvolvimentista». Por outro lado, a diversidade dos seus activos e a agilidade com que passava de uma aplicação de capitais para outra tornam-no difícil de classificar por meio da taxonomia habitual para o estudo da burguesia. Ao mesmo tempo, foram preocupações de natureza estritamente empresarial, e não qualquer pendor «aristocratizante», receio do desenvolvimento ou oposição ao progresso, que determinaram as suas opções de negócio. Toda a estratégia de Eugénio de Almeida definiu-se em termos de ganhar o mais possível e a sua preferência, em certas épocas, pelos investimentos fundiários, financeiros ou especulativos tem de ser entendida como uma resposta flexível às oportunidades económicas que se lhe deparavam. A sua gestão do enorme conjunto de propriedades rústicas, que adquiriu ao longo da vida e de que este artigo também se ocupa, apontam precisamente no mesmo sentido.

