O triângulo corporativo. Acta e encenação de um despacho salarial (1946-47)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198799.05Palavras-chave:
salários e condições de trabalho, despacho regulador, indústria têxtil algodoeira, política social do Estado Novo, relações entre patrões e EstadoResumo
Analisa-se neste artigo a elaboração de um projecto de despacho regulador de salários e condições de trabalho para a indústria têxtil algodoeira em 1946-47. Para melhor compreender o processo, recua a análise até 1934 e avança até 1952. Um despacho regulador de salários é um acto administrativo, mas não necessariamente um monólogo a que os interessados assistam passivos ou indiferentes: é palco de trocas, de pressões, de conflitos. Descreve o texto os principais momentos da discussão numa comissão técnica tripartida, com incidência na questão mais polémica, a dos salários, pondo em relevo as posições, os argumentos, as estratégias dos diferentes actores. Na conclusão interroga-se a autora sobre o sentido da política social do Estado Novo e sobre a complexa relação entre patrões e Estado. Relação que não é isenta de conflito e que, através deste caso, revela um patronato com uma grande capacidade de pressão e resistência e um Estado talvez menos forte do que aparenta ser.

