Camponeses nortenhos: «conservadorismo» ou estratégias de sobrevivência, mobilidade e resistência?
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198797.01Palavras-chave:
camponeses nortenhos, comportamento sociopolítico, conservadorismo, estratégias de sobrevivência, mobilidade social, sobrevivênciaResumo
Neste artigo propõe-se o autor compreender e explicar a diversidade de comportamento sociopolítico dos camponeses nortenhos, particularmente o seu chamado «conservadorismo», a sua atitude «passiva» e «resignada», que tem favorecido e até constituído a principal força de apoio e de reserva do bloco conservador nos séculos XIX e XX. Sobre a acção dos camponeses são frequentemente aduzidos como determinantes diversos factores explicativos, como o económico, o moral e/ou psicológico, o político, o cultural. Sem elevar estes factores a categorias universais e tendo em conta os modelos e as teorias correntes sobre a questão, procura o autor avaliar e testar a sua consistência e validade à luz dos seus resultados de investigação, pondo em relevo a racionalidade camponesa e as suas estratégias de sobrevivência, mobilidade social e resistência e avançando a seguinte hipótese: os camponeses são hostis ao risco e esforçar-se-ão ao máximo para: a) sobreviver como camponeses e obter uma (mínima) segurança de existência, conquistando e/ou conservando o seu pedaço de terra próprio ou arrendado; b) aproveitar todas as oportunidades palpáveis a fim de melhorar a sua situação ou obter uma outra posição relativamente autónoma. À acção ora sublevada ora resignada ou esquiva dos camponeses subjaz a presença ou ausência de uma determinada medida de efectivo poder de disposição económico e/ou político. A atitude de cada grupo/família na aldeia é condicionada pela sua posição económica e lugar no sistema de patrocinato.

