O proteccionismo em Portugal (1842-1913): um caso mal sucedido de industrialização «concorrencial»

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31447/AS00032573.198797.05

Palavras-chave:

política aduaneira, proteccionismo, Portugal, 1842-1913, economia portuguesa, regime alfandegário

Resumo

Com este artigo pretende-se demonstrar, em primeiro lugar, que a política aduaneira seguida em Portugal em todo o período compreendido entre os anos de 1842 e 1913 foi claramente proteccionista, e não de livre-câmbio, como até aqui tem sido geralmente afirmado. A manutenção do regime instaurado em 1837 com a publicação de uma pauta que estabeleceu direitos elevados à importação é aqui explicada em função da conjugação de interesses do Estado Português, que tinha como principal fonte de rendimentos as alfândegas, e de determinados grupos económicos benificiários directos da protecção concedida. São também avançadas neste trabalho algumas hipóteses quanto aos efeitos do regime alfandegário na estrutura da economia portuguesa da segunda metade do século XIX. Segundo o autor, aquele regime pode ser considerado o principal responsável pela sobrevivência de ramos de actividade em que Portugal tinha significativas desvantagens relativamente aos seus principais parceiros comerciais. Conclui-se, assim, que as possibilidades de crescimento económico sustentado, «complementar» do dos países mais avançados e baseado nas perspectivas de maior integração com a economia mundial foram sendo perdidas em favor de um moderado crescimento económico «concorrencial», virado para o mercado interno e limitado pelas condições próprias de uma economia pequena e atrasada.

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Publicado

1987-06-30

Como Citar

Lains, P. (1987). O proteccionismo em Portugal (1842-1913): um caso mal sucedido de industrialização «concorrencial». Análise Social, 23(97), 481–503. https://doi.org/10.31447/AS00032573.198797.05

Edição

Secção

ESTUDOS DE HISTÓRIA ECONÓMICA DE PORTUGAL NO SÉCULO XIX