A industrialização num país de desenvolvimento lento e tardio: Portugal, 1870-1913
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198796.01Palavras-chave:
indústria portuguesa, crescimento industrial, exportações, competitividade internacionalResumo
Embora a taxas mais baixas do que as de outros países menos desenvolvidos da Europa de então, a indústria portuguesa conheceu um período de crescimento industrial sustentado, entre 1870 e 1914. O artigo começa por delinear, em perspectiva comparada, a forma como se processou esse crescimento, evidenciando-se que o período pós-1891 não se caracterizou pela aceleração que lhe tem sido atribuída por vários autores. É também posta em causa a hipótese que coloca em primeiro plano as exportações como variável explicativa do crescimento industrial. A curto prazo, a produção industrial parece ter reagido sobretudo a condições financeiras e, a longo prazo, a todo um conjunto de factores, entre os quais se encontram as exportações. A industrialização portuguesa enfrentou vários obstáculos. A maior parte dos sectores tinham ligações fracas ao resto da economia, as oportunidades oferecidas pela substituição de importações rapidamente se esgotaram e a procura interna via-se reduzida pelo baixo nível de rendimento e a falta de integração do mercado. Tentou-se a exportação de manufacturas para as colónias, mas também aí o mercado era limitado e pouco sofisticado. A única possibilidade para um desenvolvimento industrial mais intenso consistia em exportar para a Europa. O problema aqui era que, embora os salários na indústria portuguesa fossem relativamente baixos, a produtividade da mão-de-obra era muito inferior à dos sectores equivalentes dos competidores estrangeiros da nossa indústria. Na parte final do artigo, analisam-se algumas das razões para esta falta de competitividade internacional das indústrias portuguesas.

