Transferências de excedente na economia portuguesa: balanço de ganhos e perdas
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198796.04Palavras-chave:
25 de Abril 1974, mutações económicas e sociais, transferências de excedente, economia portuguesa, reconstituição da base produtivaResumo
As profundas mutações económicas e sociais que se verificaram após o 25 de Abril 1974 foram acompanhadas de uma recomposição na distribuição da riqueza. Desta resultaram ganhadores e perdedores, quer na esfera económica, mais restrita, domínio social, mais amplo. O objectivo da investigação realizada foi obter uma primeira expressão quantitativa do fenómeno, mediante o estudo das transferências de excedente na economia portuguesa. Os resultados apontam para um deslocamento do peso económico e social do sector produtivo para o sector improdutivo. Dentro do sector produtivo em dificuldades exceptua-se, contudo, o segmento exportador, claramente favorecido pela estratégia económica dominante. As transferências de excedente tiveram como veículo privilegiado a inflação, a qual afectou diferenciadamente os diversos ramos de actividade. Ao Estado, enquanto responsável da política económica, coube um papel fundamental nas alterações ocorridas. A conclusão principal retida é que a circulação e afectação do excedente têm apresentado um elevado grau de conflitualidade com as necessidades da acumulação reprodutiva ou, por outras palavras, com a reconstituição da base produtiva da economia portuguesa.

