Uma outra maneira de abordar as ciências sociais
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198795.01Palavras-chave:
epistemologia das ciências sociais, sociologia, ideologia, pesquisa científicaResumo
A abordagem científica dos fenómenos sociais data do século passado. Desde então a epistemologia das ciências sociais modificou-se grandemente, quer em relação ao conhecimento do objecto, quer em relação à teoria do conhecimento utilizada. Weber, Simmel e Pareto contribuíram grandemente para essa viragem. A partir dela, o autor analisa a nova problemática que se gerou, centrando a sua atenção: 1) no modelo de causalidade, colhido das ciências da natureza, mas cada vez mais incapaz de permitir compreender o que o autor chama afinidade, que faz com que se estabeleçam relações por conformidade e sem casualidade precisa; 2) na relação entre o compreensível e o incompreensível, entre a ciência e a metafísica, que não é tão definida como se tem pretendido, já que há metafísica no cerne de toda a ciência, há inexplicável no cerne da explicação, há desconhecido no conhecido; 3) nas ideias preconcebidas e apriorísticas, em geral de ordem ética, que não dizem respeito à experiência científica e viciam a análise que se pretende empírica. Não foi sem razão que a sociologia, há uns tempos para cá, se espraiou tão facilmente na ideologia, em prejuízo da pesquisa científica. O autor conclui que uma análise só é válida consoante as condições e os limites dos problemas levantados. Nenhuma noção consegue explicar tudo. O conceito sociológico só é válido quando se trata de uma situação geral ou particular, nas determinações de causalidade ou de afinidade com as quais o constituímos e o pomos em relação com outros conceitos elaborados nas mesmas condições. A sociologia torna-se inútil se, de antemão, se parte da ideia de que a economia é a explicação determinante em última análise. E inútil fazer pesquisa se se conhece antecipadamente a solução. Não há uma ortodoxia do método das ciências sociais. A pesquisa deve não só ser aberta, mas também provocar aberturas para tornar mais inteligíveis as relações sociais.

