A Associação Comercial do Porto no contexto político-económico nortenho e nacional (segundo quartel do século XIX)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198691.05Palavras-chave:
Associação Comercial do Porto, negociantes do vinho do Porto, relação com os governos de Lisboa, derrota políticaResumo
A Associação Comercial do Porto constituiu-se em finais de 1834 e quis-se única legítima representante do mundo comercial e industrial portuense, chamando a si não só a defesa dos interesses estabelecidos, como também a função dinamizadora e promotora de novos empreendimentos económicos. Na realidade, revela-se uma associação hegemonizada pelos pequenos e médios negociantes do vinho do Porto e em poucos anos vem a encontrar-se isolada no próprio meio nortenho. Pressionada pela crise das exportações de vinho do Porto a partir de 1839, a ACP revela a sua verdadeira face de reduto corporativo dum grupo específico de comerciantes. Mostrando-se incapaz de superar uma visão estritamente regional e sectorial dos problemas, perde capacidade de mobilizar aliados para a sua própria causa. À medida que se vai entrincheirando na defesa rígida de soluções contraditórias com as exigências duma política económica concebida em termos nacionais, fecha progressivamente o espaço de diálogo com os governos de Lisboa. A sistemática hostilidade ou oposição a «Lisboa», independentemente da cor política dos governos que ali e dali mandavam, priva a ACP de interlocutores políticos - muito embora contasse com amigos pessoais - e de canais de pressão eficaz ao nível do poder central. A obstinação com que emprenhou todas as energias e influências numa batalha perdida - o acordo alfandegário com a Inglaterra - transformou o malogro das negociações numa derrota política da própria ACP.

