Paradigmas sociológicos na análise da vida quotidiana
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198690.01Palavras-chave:
sociologia da vida quotidiana, formalismo, interaccionismo simbólico, marxismo, fenomenologiaResumo
Neste artigo, pretende-se, em primeiro lugar, apresentar um panorama crítico das principais correntes teóricas que têm influenciado a análise sociológica da vida quotidiana: designadamente o formalismo, o interaccionismo simbólico, o marxismo e a fenomenologia. A partir da caracterização e da crítica dessas correntes, procura-se debater o conceito, o objecto e a focalização da sociologia da vida quotidiana, preocupando-se o autor com isolar e destacar as perspectivas teóricas básicas que poderão constituir os pontos de referência orientadores deste ramo da sociologia. Abordando, por outro lado, os espaços e as temporalidades do quotidiano e, de um ponto de vista mais epistemológico, a relação entre senso-comum e sociologia cognitiva, o autor faz a crítica dos excessos estruturalistas e fenomenológicos na análise da vida quotidiana, rejeitando, ao mesmo tempo, a submissão da análise do quotidiano às perspectivas teóricas de uma micro-sociologia. Finalmente, o autor procura mostrar como a análise sociológica da vida quotidiana, situando-se numa relação dialéctica entre micro-análise e macro-análise de comportamentos e estruturas sociais, se deve configurar como uma espécie de «lançadeira de tear», movendo-se de um lado para o outro e cerzindo, no universo social, as micro e as macro-estruturas sociais e os correspondentes comportamentos sociais.

