As penas de viver da pena (aspectos do mercado nacional do livro no século XIX)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198586.01Palavras-chave:
mercado do livro, Portugal, relações entre autores e editores, mudanças na organização, direito de propriedade literáriaResumo
A organização do mercado do livro no Portugal de Oitocentos implicou mudanças várias nas relações dos autores com os editores, com o público e com as próprias obras - esboçaram-se tentativas de criação de um circuito popular apoiado em edições económicas e atraentes, vendas em fascículos e gabinetes de leitura; a figura do mecenas foi substituída pela do editor que passou a colocar no mercado o produto do trabalho do escritor, incumbindo-o, porém, de tarefas de lançamento e difusão desse mesmo produto; ensaiaram-se por parte dos autores formas de associação, num esforço para controlar o seu processo de produção e os seus produtos, designadamente através do estabelecimento do direito de propriedade literária. No novo sistema de relações é determinante a situação de dependência do mercado nacional do livro face a um mercado externo como o da França, o que se manifestava exemplarmente quer nas repercussões desfavoráveis que trazia para Portugal o convénio literário assinado com aquele país, quer na supremacia dos editores e autores de origem francesa entre nós. Tal situação acarretará o desenvolvimento de estratégias de substituição de importações (traduções e imitações) a que ficaram confinados sobretudo os autores nacionais com posições mais desfavorecidas na hierarquia do campo literário.

