Simbolização do processo político e dinamismo sociocultural numa sociedade tradicional: abordagem histórica e sistémica
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198484.04Palavras-chave:
sociedade congo, dinamismos socio-culturais, processo políticoResumo
Este artigo analisa a evolução do processo político e os dinamismos socio-culturais envolventes na sociedade congo, grupo étnico bantu que ocupa parte dos territórios actuais de Angola, Congo e Zaire. Na primeira parte, a partir duma perspectiva histórica e sistémica, o autor expõe e critica alguns aspectos específicos da «corrente sistémica» relativa à causalidade e à explicação em ciências sociais, propondo um «paradigma conceptual» do modelo sistémico como instrumento que lhe parece mais adequado à análise da simbolização política dos factos e do imaginário social congo. Na segunda parte são examinadas as duas vertentes complementares do processo político tradicional: a lógica dos valores e das legitimações, que constitui o regime doméstico e costumeiro de governo, e a lógica da normatividade que o regime político territorializado institui. A tensão e a contradição entre segmentos de linhagem materna e paterna, pela qual os grupos matrilineares congo resolvem, entre outras, as questões de posse da terra, de herança e de poder, são também postas em relevo. Finalmente, o autor mostra como os congo recusam as estruturas políticas formais e estatais propostas pelos Portugueses, destacando o papel essencial do movimento do antonionismo na reestruturação do poder político e na inovação social. O estudo histórico das chefaturas congo, redimensionando o passado político e cultural congo, revela pontos importantes que contribuirão para a compreensão dos mecanismos de poder nos novos Estados africanos.

