Capacidade de adaptação e incapacidade de decisão. O Estado Português e a articulação política dos interesses sociais desde 1974
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198483.02Palavras-chave:
sistema político português, Estado e sociedade, organização socialResumo
A permanência de certos traços estruturais do período da «fundação» do novo regime político, a sedimentação de práticas político-administrativas tendentes a evitar e a adiar toda a decisão «grave», as ambiguidades e os factores de indefinição do sistema de governo, a generalizada incapacidade do sistema administrativo e a sua «desarticulação» perante o sistema político, eis alguns aspectos que, entre outros, explicam os problemas que o Estado tem encontrado na sua relação com a sociedade. Neste trabalho o autor concentra-se nos factores que (sobretudo do lado do Estado e especialmente a partir e por causa do processo aberto em 25 de Abril) contribuíram para aquilo que considera ser a incapacidade de decisão e de execução que o sistema político tem revelado em relação à articulação dos interesses sociais pondo, por outro lado, em evidência a concomitante excepcional capacidade de adaptação e de resistência que o Estado demonstrou a movimentos sociais e políticos tendentes à polarização. Factores que não se ligam apenas ao Estado mas que têm também de ser procurados em muitos aspectos da organização social posterior e anterior a 1974. Os elementos apresentados parecem explicar, pelo menos em certa medida, por que razões se continua num sistema de decisões políticas quase que exclusivamente ditadas por um permanente «estado de necessidade» imposto pelas dificuldades financeiras e de arranjos políticos acomodatícios e «reactivos» justificados pelo conhecido motivo da «inexistência de alternativas».

