1834-42: a Inglaterra perante a evolução política portuguesa (hipóteses para a revisão de versões correntes)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198483.03Palavras-chave:
aliança Portugal-Inglaterra, relações económicas, intervenção inglesa, 1834-1842Resumo
Desde a primeira dinastia que Portugal mantém com a Inglaterra relações económicas e políticas privilegiadas. A segunda dinastia iniciou-se com o casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre, um ano depois da assinatura do tratado anglo-luso de Windsor (1386). A restauração da independência, em 1640, ficou a dever-se em grande parte ao auxílio da secular aliada. Em 1808, as tropas inglesas desembarcam em Portugal e conduzem militarmente a resistência contra a dominação francesa até à definitiva expulsão dos ocupantes. O general Beresford senhoriou Portugal até 1820, e, mais tarde, sem a intervenção diplomática e militar dos Ingleses, uma vez mais, não é certo que D. Miguel tivesse sido derrotado e que o regime constitucional tivesse sido restaurado em 1834. As facturas desta aliança, naturalmente, iam-nos chegando com regularidade. 1642, 1653, 1660, 1662, 1703 e 1810 assinalam uma série de tratados de aliança e comércio com a Inglaterra tendentes a institucionalizar entre os dois países relações de troca desiguais o que, mais do que perfídia inglesa, reflecte a posição periférica (ou semiperiférica) de Portugal no seio da economia-mundo europeia. Portugal vivia tutelado pela sua mais velha aliada. Que esta tutela se tenha exercido de molde a influenciar o curso dos acontecimentos políticos domésticos em função dos interesses económicos ingleses, é um lugar-comum admitido pela generalidade da historiografia portuguesa e estrangeira que contém uma enorme dose de verdade. Mas pode-se, e deve-se, matizar esta síntese em excesso sumária das modalidades e prioridades da intervenção inglesa em Portugal. É este o objectivo do presente artigo cuja fonte é basicamente constituída pela correspondência trocada entre o embaixador inglês em Lisboa, Lorde Howard de Walden, e o Foreign Office. O período observado compreende os anos entre 1834 e 1842.

