A condição social da juventude portuguesa
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198481.06Palavras-chave:
juventude portuguesa, comportamento social, marginalização social, comportamento políticoResumo
Este artigo é o resultado da primeira fase duma pesquisa em curso sobre o comportamento social da juventude em Portugal. É que, antes de estudar o comportamento dos jovens, impunha-se perceber o que era socialmente a juventude, quais as suas condições de vida como condicionantes sociais desse comportamento. Ora os jovens têm vindo a ser objecto de um crescente processo de marginalização social: eles são, com efeito, as principais vítimas do crescente desemprego, sendo, desse modo, marginalizados cada vez mais das estruturas e dos processos produtivos; sobre os jovens recaíram igualmente as consequências anomizantes de sucessivas alterações produzidas no sistema de ensino, não sendo por isso de estranhar que sejam também os jovens os principais implicados no aumento da criminalidade e da delinquência; por último, a modernização familiar, nas suas múltiplas dimensões, alterou significativamente as funções tradicionais da família, afectando profundamente a capacidade de inserção dos jovens no mundo dos adultos. Mas, simultaneamente, os jovens têm vindo a ser progressivamente integrados ao nível cultural, através da intensificação dos mecanismos de consumo. Os jovens portugueses de hoje, na sua grande maioria, são assim marginalizados enquanto produtores, mas integrados enquanto consumidores, verificando-se uma clara tendência para um reforço da sua subordinação social ou para um retardamento da respectiva emancipação. É a partir desta realidade, dentro deste condicionalismo básico ou condição social, que tem de ser estudado o comportamento social da juventude, comportamento que, na segunda fase do presente projecto de investigação, os autores irão privilegiar na sua dimensão política com a apresentação dos resultados do inquérito nacional sobre o comportamento político da juventude portuguesa.

