Latifúndio e progresso técnico: a difusão da debulha mecânica no Alentejo, 1860-1930
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198271.03Palavras-chave:
agriltura latifundiária, atraso técnico, 1860-1930, debulha a vapor, Alentejo, produção cerealíficaResumo
Um dos traços que mais frequentemente têm sido utilizados para caracterizar a agricultura latifundiária em Portugal é o da sua ineficiência na utilização dos factores de produção. Sendo o problema não apenas actual mas também histórico, procurou-se neste artigo analisar uma das facetas mais significativas desta questão - o atraso técnico - durante o período 1860-1930. À partida, as alternativas para explicar a lenta difusão de uma inovação vantajosa como era a debulha a vapor seriam, ou um comportamento irracional por parte dos empresários latifundiários ao resistirem ao progresso técnico, ou um comportamento economicamente racional e tendente à maximização dos lucros. A conclusão a que se chega é que se durante 1860-1900 a grande lavoura rejeitou os processos modernos de debulhar, foi por que isso se justificava amplamente em termos de um nível de custos superior ao dos métodos arcaicos. De 1900 a 1930, a rápida adopção da debulha a vapor explicar-se-ia por uma alteração na estrutura dos custos causada em grande parte pela expansão da produção cerealífera, alteração que tornou o processo moderno no mais rendível de todos. Haveria assim lugar para pensar que, na agricultura alentejana, o «atraso técnico» pode ser «racional» e pode corresponder à melhor utilização dos recursos por parte do empresariado agrícola.
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