Religiosidade, conservadorismo e apatia política do campesinato em Portugal
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198270.04Palavras-chave:
população portuguesa, campesinato, práticas religiosas, práticas político-eleitoraisResumo
O autor debruça-se neste texto sobre as funções político-ideológicas de conservação da ordem social habitualmente imputadas ao campesinato, procurando mostrar, com o apoio de informações empíricas respeitantes às práticas religiosas e político-eleitorais da população portuguesa, em geral, e do concelho de Penafiel, em particular, que a) para caracterizar o sistema de disposições e operadores práticos-simbólico em que baseiam certos comportamentos e posições ideológicas das classes camponesas, é necessário ter em conta a especificidade do espaço social rural (nomeadamente dos processos de trabalho e relações de produção características da economia camponesa); b) no conjunto de instâncias de socialização que tendem a reforçar o conservadorismo espontâneo das classes camponesas, destaca-se a Religião, para isso contribuindo decisivamente o facto de o efeito ideológico de naturalização/sacralização das hierarquias sociais, que está associado ao discurso religioso e à acção pastoral dominantes, encontrar, nos campos, receptores com forte propensão para a procura de bens de salvação; c) dado que o conservadorismo e o conformismo religioso dos camponeses estão associados a sensíveis predisposições para a auto-exclusão em face das dinâmicas propriamente políticas, só com precaução podem os dados da sociografia eleitoral ser utilizados como indicadores das ideologias camponesas; d) é o próprio desenvolvimento das funções económicas externas do espaço rural que tende a subverter as suas funções político-ideológicas tradicionais, bem como, paralelamente, a coesão e o sentido global de importantes equilíbrios
sociais (em especial os que se apoiam nos sistemas de divisão de trabalho e de autoridade intrafamiliares e nas solidariedades de vizinhança).
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