ECTRÓPION UVEAL CONGÉNITO - “UM NEVUS DA ÍRIS QUE É OUTRA COISA”

  • Rita Silva
Palavras-chave: Ectrópion Uveal Congénito, Glaucoma, Ptose Palpebral, Neurofibromatose, Crista Neural.

Resumo

Objectivos: O Ectrópion Uveal Congénito (EUC) é uma condição rara, tipicamente unilateral e não progressiva, com documentação escassa na literatura científica. Caracteristicamente, o olho afectado apresenta-se com ptose palpebral moderada, superfície da íris sem criptas, atrofia do estroma, inserção anterior da íris e, em alguns casos, disgenesia do ângulo camerular. Pode surgir como variante anatómica isolada ou associada a outras doenças oculares e/ou sistémicas. Um seguimento clinico a longo prazo pode revelar o desenvolvimento de glaucoma nestes doentes, estando estas duas patologias associadas em cerca de 70-90% dos casos.                                                                               Material e Métodos: Descrição de um caso clínico com base na informação do processo clínico e observação do doente.                                                                                                      Resultados: Doente do sexo masculino, 8 anos de idade, sem antecedentes pessoais ou familiares conhecidos, foi enviado à consulta de Oftalmologia Pediátrica por nevus da íris do olho direito. À observação apresentava ptose palpebral ligeira-moderada OD, MAVC ODE de 10/10, ectrópion uveal OD, mas sem outras alterações à biomicroscopia, PIO ODE de 18 mmHg, grau 3 de Shaffer em todos os quadrantes com sinéquias anteriores periféricas no sector nasal-inferior na gonioscopia de OD e fundo ocular sem alterações.                                                                                        Conclusões: O EUC é um achado raro e com relevância clínica. O diagnóstico de EUC numa criança implica um seguimento clínico a longo prazo, rastreando o eventual aparecimento de hipertensão ocular, glaucoma ou outras anomalias originárias da crista neural.

 

Publicado
2017-12-23
Secção
Comunicações curtas e casos clínicos