RESSONÂNCIA MAGNÉTICA FUNCIONAL NA AVALIAÇÃO DA NEUROADAPTAÇÃO APÓS IMPLANTE DE LENTE MULTIFOCAL

  • José F. Costa Centro de Responsabilidade Integrado de Oftalmologia - Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
  • Andreia Rosa Centro de Responsabilidade Integrado de Oftalmologia - Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
  • Ângela Miranda Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS)
  • Elisabete Almeida Centro de Responsabilidade Integrado de Oftalmologia - Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
  • Fátima Silva Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem (IBILI)
  • Miguel Castelo-Branco Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem (IBILI)
  • Joaquim Murta Centro de Responsabilidade Integrado de Oftalmologia - Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Palavras-chave: Córtex visual, lente multifocal, retinotopia, ressonância magnética funcional, neuroadaptação.

Resumo

OBJETIVO

Avaliar, ao longo dos primeiros 6 meses pós-operatórios, o impacto cortical do deslumbramento num grupo de doentes implantados com lente intraocular multifocal através de ressonância magnética funcional (RMNf)

MATERIAL E MÉTODOS

Estudo prospetivo, comparativo, incluindo doentes (n=10) submetidos a implante bilateral de uma lente multifocal e um grupo de controlo não interventivo (n=10). Na 3ª semana e 6º mês pós-operatórios, foi realizado um exame oftalmológico complementado por RMNf. O estímulo funcional consistiu num padrão sinusoidal com contraste limiar (obtido através de psicofísica). Em metade dos ciclos de RMNf, o estímulo encontrava-se rodeado por uma fonte de luz para induzir deslumbramento.

RESULTADOS

Na 3ª semana pós-operatória, o deslumbramento induziu, no grupo de doentes, um atraso e diminuição do sinal BOLD máximo obtido com o estímulo sinusoidal (no córtex visual V1: βmax 0.03±0.04 e 0.10±0.03, com e sem deslumbramento, respetivamente). No grupo de controlo não se observaram alterações significativas. Ao 6º mês, observou-se um aumento de βmax (0.09 para 0.17) bem como do sinal BOLD total (área sob a curva 0.31 vs. 0.17 na 1ª visita, p<0.05). Estas alterações também foram observadas para as áreas visuais V2 e V3. O grupo de controlo apresentou um desempenho semelhante nas 2 visitas.

CONCLUSÕES

Os nossos resultados demonstram que é possível medir objetivamente o impacto do glare a nível cortical em indivíduos com lentes intraoculares multifocais e sugerem que mecanismos corticais são importantes para a melhoria das queixas visuais em doentes com lentes multifocais, confirmando, pela primeira vez, a ocorrência de fenómenos de neuroadaptação.

Publicado
2018-05-09
Secção
Artigos originais