NEEDLING PÓS FALÊNCIA DE TRABECULECTOMIA. FACTORES DE RISCO DE FALÊNCIA E INFLUÊNCIA DOS ANTI-MITÓTICOS. RESULTADOS A LONGO PRAZO

  • Bruno Carvalho Centro Hospitalar Lisboa Central
Palavras-chave: Trabeculectomia, needling, anti-mitóticos, sucesso, follow up

Resumo

Introdução: A falência cirúrgica da trabeculectomia verifica-se especialmente até à oitava semana, podendo a sua incidência chegar aos 28%. A revisão transconjuntival - needling, utilizando anti-mitóticos, tem aumentado a sobrevivência cirúrgica.

Material e Métodos: Estudo retrospectivo dos doentes submetidos a needling com informação clínica completa sobre controlo tensional, terapêutica realizada, fármacos com ou sem conservantes, patologia da superfície ocular, cirurgias combinadas e complicações. Consideraram-se os períodos de follow up: pré-operatório, um ano pós cirurgia e a observação mais recente. Identificaram-se os anti-mitóticos utilizados na trabeculectomia e no needling: mitomicina C (MMC) versus 5-fluouracilo (5-FU) para análise comparativa. Considerou-se “sucesso absoluto” a pressão intraocular (PIO) <18 mmHg sem terapêutica, e “sucesso relativo” a PIO <18 mmHg com terapêutica.

Resultados: Amostra com 93 olhos tratados. 51.6% realizou needling nos primeiros 90 dias. A média ± desvio padrão do número de fármacos foi sequencialmente: 3.34 ± 1.12, 1.39 ± 1.18 e 1.82 ± 0.13; e a PIO de 23.3 ± 5.68, 14.82 ± 4.23 e 13.99 ± 3.21 (p≤0.05).

Não se verificaram associações estatísticas entre número de fármacos no pré-operatório, presença de conservantes, género, precocidade de reintervenção e complicações com a obtenção de sucesso.

Obteve-se sucesso absoluto em 24.7%. Em 29.1% repetiu-se needling e, em 8.6%, a PIO final foi >18 mmHg. A possibilidade de sucesso aplicando MMC pareceu ser superior à do 5-FU, OR=2.699, para intervalos entre cirurgias constantes.

Conclusão: A técnica de needling com anti-mitóticos demonstrou segurança e eficácia prolongadas, evitando a necessidade de reintervenção.

Publicado
2017-12-23
Secção
Artigos originais