Comparação entre diferentes formulações de Neurotoxina Botulínica A no tratamento da endotropia

Palavras-chave: Estrabismo, neurotoxina botulínica, endotropia, ptose palpebral

Resumo

OBJECTIVOS: Comparar a resposta motora e os efeitos adversos das formulações onatoxina e incotoxina em doentes com endotropia.

MATERIAL E MÉTODOS: Estudo unicêntrico, longitudinal com análise de processos de doentes com o diagnóstico de endotropia e tratamento com Neurotoxina Botulínica A como primeira linha entre julho de 2006 e julho de 2015. Dados: tipo de toxina; ângulo do desvio; tipo de desvio; idade de injeção; equivalente esférico; 1ª vez vs subsequente e ptose temporária. Foi realizada análise estatística com investigação da associação entre as variáveis de interesse (análise univariada e multivariada).

RESULTADOS: Estudados 180 doentes, totalizando 231 injeções (161 de onatoxina e 70 de incotoxina). O desvio médio ao perto e ao longe não diferiu nos grupos injetados com onatoxina ou incotoxina aos seis ou doze meses (p > 0,05) mas difere aos trinta dias (IC95% = -14.4 ± 3,14, p < 0,01). Aos trinta dias após a injeção, a formulação ONA está associada a hipercorreção do desvio para perto (β= - 5.43, IC95% = [-10.86, -0,00], p=0.05) e para longe (β=-4.40, IC95% = [-9.52, 0.73], p=0,09). No grupo onatoxina verificou-se maior frequência de ptose temporária associada a um risco relativo de 2,34 (IC95% = [1.16, 4,71], p = 0,02).

CONCLUSÕES: O tipo de neurotoxina botulínica A injetado não influencia a resposta motora aos seis ou doze meses após a injeção. A formulação onatoxina está associada a hipercorreção aos trinta dias após a injeção e apresenta maior frequência de efeitos adversos locais temporários.

Biografia do Autor

Diogo Reis Cabral, Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto
Interno de Formaçáo Específica em Oftalmologia
Publicado
2020-01-12
Secção
Artigos originais