Drepanocitose em idade pediátrica: Avaliação por imagem multimodal

  • Mafalda Sofia Benavente Mota Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca
Palavras-chave: Drepanocitose, idade pediátrica, OCTA, OCT

Resumo

Objectivo: Avaliar as alterações maculares observadas através de Tomografia de Coerência Óptica (OCT), em crianças com drepanocitose, fazendo a sua correlação com OCT angiografia (OCTA) e com angiografia fluoresceínica (AF). Material e Métodos: Estudo prospectivo transversal com 36 olhos de 18 crianças com drepanocitose. Todos realizaram OCT, os que apresentaram alterações no OCT realizaram OCTA e em alguns casos AF. Foi realizada a análise da densidade de vasos na região macular (OCTA), usando como controlo o olho adelfo. Resultados: Observámos retinopatia em 16 olhos, proliferativa em 6. Em 4 olhos de diferentes crianças, uma delas sem retinopatia, observámos uma diminuição marcada da espessura temporal da mácula, no OCT. No OCTA deste subgrupo, a densidade de vasos na mácula estava significativamente diminuída na zona temporal do anel externo, quando comparada com o olho adelfo (p=0,043), zona correspondente à alterada no OCT. Observou-se também uma marcada zona avascular nesta área (OCTA). Não se observaram alterações relevantes na AF. Conclusão: O estudo por imagem multimodal permitiu-nos compreender que as alterações vasculares na drepanocitose não estão apenas presentes na retina periférica, como classicamente descrito. As alterações maculares evidentes por OCT e OCTA parecem reflectir uma isquémia crónica das camadas mais internas da retina, observadas pela primeira vez em crianças. São necessários mais estudos para avaliar a utilização desta alteração como um biomarcador. Estas alterações são assintomáticas e não observáveis na fundoscopia nem na AF. Concluímos que o OCT e o OCTA devem integrar o protocolo de avaliação destes doentes, desde a idade pedriática.
Publicado
2019-10-16
Secção
Artigos originais