BIOMARCADORES PRÓ-INFLAMATÓRIOS SISTÉMICOS NO EDEMA MACULAR DIABÉTICO E A RESPOSTA ANÁTOMO-FUNCIONAL AO TRATAMENTO COM ANTI-VEGF

  • Pedro Silva Brito Hospital de Braga
  • Rufino Silva Serviço de Oftalmologia. Centro Hospitalar e Universitario de Coimbra (CHUC). Portugal. Faculdade de Medicina, Instituto Biomédico de Investigação da Luz e da Imagem (FMUC-IBILI), Universidade de Coimbra Associação para Investigação Biomédica em Luz e Imagem (AIBILI), Coimbra
  • Jorge Costa Hospital de Braga
  • Nuno Gomes Hospital de Braga
  • Sandra Costa Life and Health Sciences Research Institute (ICVS), Escola de Medicina da Universidade do Minho
  • Jorge Correia-Pinto Hospital de Braga, Life and Health Sciences Research Institute (ICVS), Escola de Medicina da Universidade do Minho
Palavras-chave: anti-VEGF, bevacizumab, edema macular diabético, proteína C-reactiva, inflamação

Resumo

Objetivos: Estudar o papel de biomarcadores inflamatórios sistémicos, como fatores condicionantes da resposta anátomo-funcional ao tratamento com bevacizumab no edema macular diabético (EMD)

 

Material e métodos: estudo prospectivo que incluiu 30 doentes com  EMD, tratados com injecções intravítreas de bevacizumab e com seguimento de 12 meses. Para todos os casos foi obtido um perfil analítico basal contemplando risco cardiovascular, disfunção renal, dislipidémia e controlo glicémico. Pela técnica ELISA, foram estudados os seguintes fatores pró-inflamatórios: VEGF, ICAM-1, MCP1 e TNF-α. Os valores analíticos foram correlacionados com indicadores clínicos e tomográficos durante o seguimento.

 

Resultados: Verificamos melhoria significativa da espessura foveal central (EFC) (525.80±136.80 µm para 363.31±76.10 µm, p<0.001), bem como da acuidade visual (AV) (0.61±0.24 para 0.40±0.19 LogMAR, p<0.001). Estes resultados foram obtidos com uma média de 6.20±1.29 injecções. O valor de proteína C reactiva ultrassensível (PCRus) foi preditivo de decréscimo na EFC ≤ 10%, ao 3º e 6º mês de seguimento (odds ratio 1.86 e 2.11, p=0.023 e p=0.013, respetivamente). O valor médio de EFC ao 6º mês correlacionou-se significativamente com os valores de: PCRus (p=0.026, r=0.406), ICAM1 (p=0.042, r=0.402) e MCP1 (p=0.021, r=0.450). Ao 6º mês verificamos que os casos com EFC < 330 µm apresentavam valores mais baixos de PCRus (1.03±0.99 vs 2.63±1.78, p=0.002) e MCP1 (243,58±46,25 vs 310,61±94,10 p=0.039). Quanto à AV final,  verificamos por regressão linear que a AV inicial foi a variável mais preditiva da AV final (p<0.001, r2=0.593).


Conclusões: Os indicadores de atividade inflamatória sistémica (PCRus, ICAM1, MCP1) correlacionaram-se de forma negativa com o estado macular, sugerindo um efeito limitante na resposta ao tratamento com bevacizumab. O estudo de biomarcadores pró-inflamatórios poderá ser útil na identificação de casos com resposta fraca ou retardada aos agentes anti-VEGF.

Biografia do Autor

Pedro Silva Brito, Hospital de Braga
Serviço de OFtalmologia, Secção de REtina, Hospital de Braga
Publicado
2019-06-08
Secção
Artigos originais