Descemet Membrane Endothelial Keratoplasty (DMEK): dois anos de experiência no Centro Hospitalar Universitário de São João

  • Sónia Torres Costa Departamento de Oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto
  • João Pinheiro Costa
  • Luís Torrão
  • Raúl Moreira

Resumo

Objetivo: Avaliar os resultados dos primeiros dois anos de DMEK no Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ).

Métodos: Análise retrospetiva dos doentes submetidos a DMEK. A melhor acuidade visual corrigida (MAVC) e a contagem de células endoteliais foram avaliadas no período pré e pós-operatório.

Resultados: O DMEK foi realizado em 24 olhos (23 doentes), sendo 12 doentes do sexo feminino. A média de idades aquando da cirurgia foi de 69,1 (41 a 86) anos. Dos 24 olhos incluídos, 14 apresentavam distrofia endotelial de Fuchs, 8 queratopatia bolhosa, 1 falência prévia de enxerto e 1 síndrome iridocorneoendotelial. Considerando os casos com, pelo menos,1 ano de seguimento, a mediana da MAVC melhorou significativamente de 0,2 para 0,6 (0,2 para 1,0; p=0,003 Wilcoxon Test). Três casos apresentaram falência de enxerto no primeiro mês pós-operatório (2 queratopatias bolhosas e 1 descolamento do enxerto na região central), necessitando da realização de um novo transplante (1 DSAEK e 2 DMEK).

A média de seguimento dos doentes foi de 12,6 (1 a 25) meses. A média da contagem de células endoteliais do enxerto dador foi de 2538 (2001 a 2996) cél/mm2. A média da contagem endotelial no primeiro ano pós-transplante foi de 1225,8 (381 a 1875) cél/mm2, com uma perda percentual de células endoteliais de 45,1%.

Não foram descritas complicações intraoperatórias nem perda de tecido durante a preparação do enxerto.

Conclusão: O DMEK pode oferecer uma melhoria significativa da acuidade visual e parece ser um método seguro e eficaz no tratamento de patologia endotelial da córnea.

Publicado
2020-06-16
Secção
Artigos originais