Eficácia profilática da brimonidina no pico tensional após injeção intra-vítrea de bevacizumab: ensaio clínico randomizado em cross-over

  • Margarida Brízido Hospital Beatriz Ângelo
  • Beatriz Lopes
  • Ana Luisa Basílio
  • Pedro Simões
  • Helena Holanda
  • João F Rodrigues
  • Margarida Miranda

Resumo

Objetivos: Determinar a eficácia da brimonidina tópica na prevenção do pico de pressão intra-ocular (PIO) que ocorre após a injeção de fármacos intra-vítreos.

Material e Métodos: Ensaio clínico randomizado, do tipo crossover, com inclusão de doentes submetidos a duas injeções intra-vítreas (IIV), em meses consecutivos, de bevacizumab. Aleatorização de cada doente para o grupo de controlo (sem profilaxia) ou para o grupo de intervenção (administração de uma gota de brimonidina, 20 minutos antes da IIV), com posterior cruzamento dos grupos, na segunda visita. Medição da PIO antes da IIV, imediatamente após (T0), 10 minutos (T10) e 20 minutos (T20) após a mesma.

Resultados: Inclusão de 40 olhos de 40 doentes (80 IIV), com uma mediana de idades de 71,5 anos (32–83 anos), dos quais 40% eram do sexo feminino (n=16). Registada uma PIO média de 13,4 mmHg previamente à injeção (desvio padrão [DP] ±3,2; intervalo: 8-26). No grupo sem profilaxia, a PIO média em T0 foi de 35,6mmHg (DP:±11,6; intervalo:15-68,7), por oposição a uma PIO média em T0 de 30,7mmHg (DP:±10,2; intervalo:13,3-53,7), no grupo com profilaxia. Comparando os dois grupos, os doentes medicados profilaticamente com brimonidina apresentaram PIOs inferiores em T0 (PIO 14% mais baixa; p=0,0012), T10 (p=0,0016) e T20 (p<0,001). Não se registaram reações adversas do uso da brimonidina.

Conclusões: Este estudo permitiu-nos demonstrar que a administração profilática de brimonidina antes da IIV é uma medida útil para atenuar o aumento de pressão verificado após a injeção.

Publicado
2020-04-04
Secção
Artigos originais