O Mundo em Viragem. Sociologia da Cena Internacional
de Bertrand Badie e Marie-Claude Smouts
Resumo
A obra de Badie e Smouts permite decifrar a cena internacional de uma forma distinta daquela que nos habituaram nos últimos anos a maioria dos especialistas de matriz anglo-saxónica. Enquanto estes últimos, referidos globalmente, assentam a força das suas análises num empirismo cru, ou em modelos teóricos que têm por base esse empirismo, com o seu cortejo de proposições mecanicistas, Badie e Smouts preferem uma leitura mais transversal e ao mesmo tempo em profundidade, que não caindo em formalismos teóricos estéreis (e aí a familiaridade dos autores com a literatura anglófona terá sido benéfica), nem num certo tom panfletário (em que algumas vezes incorre uma figura consagrada como é Ramonet), permite levantar outras questões pertinentes: por exemplo, as relativas ao bem comum, ou ao entendimento socio-histórico do retorno do sagrado, perspectiva que o modelo anglófono, por demais ligado a certa atitude epistemologicamente empíreo-realista, nem sempre alcança. Para Badie e Smouts, a relação com o outro que perpassa toda a obra, e que é primeiramente a questão sociológica da quebra ou afrouxamento das clássicas fidelidades para com o estado soberano, permitindo o relançamento do indivíduo na cena internacional, é também e desde logo a questão praxista de compreensão e abertura à alteridade enquanto tal.