Da hostilidade à construção da paz
Para uma revisão crítica de alguns conceitos estratégicos
Resumo
Num mundo em convulsão face ao terminus da Guerra Fria, no contexto de uma revolução económico-social gerada pela hiper-velocidade cibernética da globalização, os conceitos que de antanho estruturavam/enquadravam o pensamento no que diz respeito à segurança/defesa e ameaça/ /risco, assim como as noções de aspiração, interesse e objectivos nacionais passam a ser contestadas pela realidade em mutação. O presente artigo é um esquisso visando repensar estes conceitos, tendo em conta a evolução do mundo, de modo a torná-los mais operativos, dotando-os de capacidade de moldar e ao mesmo tempo de exprimir uma realidade em movimento. Basicamente, considera-se a defesa como um acto reactivo contra alguém e a segurança como um dinâmico procurar estar seguro. A ameaça é conceptualizada como uma expressão activa do desejo de transformação político-estratégica e o risco como um puro evento não directamente intencional que pode, contudo, gerar insegurança político- -estratégica. A problemática dos objectivos e interesses joga-se num quadro de atribuição de fins à estratégia”.