A Segurança Leste-Oeste e o Atlântico

Autores

  • António Emílio Ferraz Sacchetti

Resumo

Poderá parecer estranho o título A Segurança Leste-Oeste e o Atlântico, quando se deseja falar da Segurança Europeia.

O termo «Segurança Leste-Oeste» pretende chamar a atenção para as expectativas e as decepções do período actual que, pelas suas indefinições e contradições, ainda não foi baptizado.

Por outro lado, considera-se que a Segurança Europeia nunca se poderá dissociar da segurança do Atlântico Norte e das suas margens.

Acabaram os 45 anos de conflito Leste-Oeste. Mas, ao contrário do que se desejava, ainda se fala de Leste-Oeste, pois a fronteira política da Europa dividida parece renascer, embora não se saiba ainda muito bem onde.

Recentemente, este período que, à falta de melhor, tem sido chamado de pós-guerra fria, de pós-bipolarização, etc., acaba de ser designado, pelo Leste, de paz-fria.

Na generalidade, o mundo preocupa-se hoje mais com o comércio do que com o conflito, As decisões são tomadas no seio da UE (União Europeia), da ASEAN (Associação das Nações do Sueste Asiático), da NAFTA (Área de Comércio Livre da América do Norte), da APEC (forum para a Cooperação Económica da Ásia-Pacífico), do MERCOSUL (Mercado Comum da América
do Sul), da SADC (Conferência para o Desenvolvimento da África Austral), do FMI (Fundo Monetário Internacional), do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), etc.

Mas a mais alta prioridade atribuída aos assuntos, às organizações e às relações de carácter económico e social não consegue evitar a crescente pobreza do mundo: segundo a UNICEF, sem guerras e sem desastres naturais, duzentas e cinquenta mil crianças morreram em cada semana de 1994; mais ainda, mil milhões de famintos, oitocentos milhões de analfabetos, trinta milhões de refugiados e deslocados, são alguns dos dados mais dramáticos.

Downloads

Publicado

2025-11-22

Edição

Secção

Artigos