A CPLP 3.0
Inteligência Artificial e Cibersegurança como Novos Domínios da Cooperação Lusófona
DOI:
https://doi.org/10.47906/ND2026.173.01Palavras-chave:
Ciberespaço, CPLP, IA, PALOPResumo
A emergência do ciberespaço como domínio operacional constitui simultaneamente uma oportunidade e um desafio para os Estados--membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O presente artigo argumenta que a partilha linguística representa um ativo estratégico singular para a construção de capacidades conjuntas em cibersegurança e inteligência artificial (IA), conferindo ao espaço lusófono uma vantagem competitiva diante de outras comunidades linguísticas. Partindo de uma análise crítica do estado atual da cooperação no ciberespaço na CPLP, identifica-se um conjunto de lacunas estruturais que comprometem a eficácia da resposta coletiva às ciberameaças transnacionais. Propõe-se um modelo integrado de cooperação designado “CPLP 3.0”, baseado em quatro pilares: (i) um Centro de Cibersegurança Lusófono; (ii) uma Academia de Ciberdefesa comum; (iii) um laboratório de IA em Português; (iv) e um quadro normativo harmonizado. Portugal, por sua inserção em estruturas europeias e atlânticas e pelo capital relacional acumulado no espaço lusófono, surge como catalisador natural dessa arquitetura de cooperação. Analisa-se ainda o caso particular da Guiné Equatorial, cuja adesão à CPLP em 2014 representa uma oportunidade estratégica para a expansão da língua portuguesa e o aprofundamento da cooperação no Golfo da Guiné.