Pressão Intraocular Pós-Operatória Precoce como Fator de Prognóstico na Cirurgia do Glaucoma

Autores

  • Ana Rita Viana Ophthalmology Department, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, Portugal https://orcid.org/0000-0002-1889-6285
  • Rita Basto Ophthalmology Department, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, Portugal https://orcid.org/0000-0001-8503-8574
  • Renato Correia Barbosa Ophthalmology Department, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, Portugal
  • Alexandre Silva Ophthalmology Department, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, Portugal https://orcid.org/0009-0003-2312-1729
  • Ricardo Bastos Ophthalmology Department, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, Portugal
  • Carolina Vale Ophthalmology Department, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, Portugal
  • Rita Gonçalves Ophthalmology Department, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, Portugal
  • Paula Tenedório Ophthalmology Department, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos, Portugal https://orcid.org/0009-0005-8378-1205

DOI:

https://doi.org/10.48560/rspo.28279

Palavras-chave:

Glaucoma/cirurgia, Período Pós-Operatório, Pressão Intraocular, Prognóstico, Trabeculectomia

Resumo

INTRODUÇÃO: A relação entre a pressão intraocular (PIO) no período pós-operatório precoce e a PIO a longo-prazo após uma cirurgia de glaucoma continua por esclarecer. Poucos estudos investigaram os efeitos a longo-prazo da PIO inicial após trabeculectomia ou esclerectomia profunda não penetrante, apresentando resultados contraditórios. Este estudo tem como objetivo avaliar os efeitos da PIO pós-operatória precoce na taxa de sucesso cirúrgico a longo-prazo após as duas técnicas cirúrgicas referidas.

MÉTODOS: Estudo retrospetivo dos doentes com diagnóstico de glaucoma de ângulo aberto submetidos a trabeculectomia (86 olhos de 72 doentes) ou esclerectomia profunda não-penetrante (137 olhos de 117 doentes) como procedimento primário entre Janeiro de 2010 e Julho de 2020, que foram seguidos pelo menos 24 meses após a cirurgia. Para cada um dos procedimentos, a amostra foi dividida em três grupos de acordo com a PIO registada no período pós-operatório precoce: PIO <6 mmHg, PIO 6-18 mmHg e PIO >18 mmHg. A PIO, o número de fármacos antiglaucomatosos e a melhor acuidade visual corrigida pós-operatórios foram comparados entre grupos. Sucesso cirúrgico foi definido como PIO pós-operatória ≤18 mmHg ao longo do seguimento a médio e longo-prazo. A análise da probabilidade de sucesso cirúrgico foi realizada através da curva de sobrevivência de Kaplan-Meier.

RESULTADOS: Doentes com PIO precoce >18 mmHg após trabeculectomia e esclerectomia profunda não-penetrante apresentaram um controlo da PIO e taxa de sucesso cirúrgico significativamente piores a longo-prazo. Doentes com hipotonia transitória precoce após trabeculectomia apresentaram uma tendência para resultados cirúrgicos mais favoráveis a longo-prazo.

CONCLUSÃO: A PIO pós-operatória inicial influencia o prognóstico a longo-prazo após cirurgia de glaucoma.

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Publicado

2023-09-28

Como Citar

Viana, A. R., Basto, R., Correia Barbosa, R., Silva, A., Bastos, R., Vale, C., Gonçalves, R., & Tenedório, P. (2023). Pressão Intraocular Pós-Operatória Precoce como Fator de Prognóstico na Cirurgia do Glaucoma. Revista Sociedade Portuguesa De Oftalmologia, 47(3), 200–207. https://doi.org/10.48560/rspo.28279

Edição

Secção

Artigos Originais