Vitrectomia na Membrana Epiretiniana: A Associação com Patologia Ocular Inflamatória Afecta os Resultados da Cirurgia?
DOI:
https://doi.org/10.48560/rspo.38372Palavras-chave:
Membrana Epiretiniana, Vitrectomia, Edema Macular, Uveíte, Acuidade VisualResumo
INTRODUÇÃO: A membrana epirretiniana (MER) é uma complicação comum associada a patologias oculares inflamatórias. Este estudo tem como objetivo comparar resultados anatómicos e funcionais após vitrectomia em pacientes com MER, com e sem associação com patologia ocular inflamatória.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo realizado no Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto, Portugal. Foi realizada uma revisão dos registos das consultas de Imunopatologia e Retina Cirúrgica (2013-2023) e foram criados dois grupos: Grupo A (MER idiopática) e Grupo B (MER secundária a patologia ocular inflamatória). Os dados avaliados incluíram: informações demográficas, melhor acuidade visual corrigida (MAVC) pré e pós-cirurgia, complicações cirúrgicas, variação da pressão intraocular e dados de tomografia de coerência óptica macular.
RESULTADOS: Foram incluídos 42 olhos de 42 doentes, cada grupo composto por 21 olhos. Não houve diferenças entre os grupos quanto ao sexo (p=0,355) ou à lateralidade do olho afetado (p=0,212). No entanto, a média de idades no momento da cirurgia foi significativamente menor no grupo B (p<0,001). A variação MAVC entre o pré-operatório e após 6 meses e 1 ano da cirurgia não foi significativamente diferente entre os dois grupos (p=0,493 e p=0,219, respetivamente). Edema macular pré-operatório foi significativamente mais frequente no Grupo B (p<0,001), enquanto o Grupo A apresentou uma espessura macular central (EMC) média mais elevada (p=0,030). No Grupo A, a EMC diminui de 492,24±81,98 μm pré-cirurgia para 415,71±3,12 μm aos 6 meses e para 407,71±42,66 μm passado 1 ano da cirurgia. Da mesma forma, no Grupo B, a EMC diminuiu de 471,00±146,05 μm para 351,38±102,06 μm aos 6 meses e para 345,63±104,88 μm passado 1 ano da cirurgia. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre a EMC aos 6 meses e 1 ano após cirurgia em ambos os grupos. A taxa de complicações cirúrgicas e a presença de hipertensão ocular após a cirurgia foram semelhantes entre os dois grupos (p=0,707 e p=0,120 respetivamente).
CONCLUSÃO: A melhoria da MAVC e da EMC após vitrectomia foi semelhante entre doentes com MER idiopática e aqueles com MER secundária a uma patologia ocular inflamatória. A cirurgia foi igualmente segura em ambos os grupos.
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