Análise Multicêntrica a Longo Prazo do Comprimento Axial e da Classificação ATN na Neovascularização Coroideia Associada à Miopia
DOI:
https://doi.org/10.48560/rspo.38383Palavras-chave:
Miopia Degenerativa, Neovascularização de Coroide, Tomografia de Coerência ÓpticaResumo
INTRODUÇÃO: A alta miopia é a principal causa de perda de visão, especialmente quando associada a neovascularização coroideia (CNV). Apesar dos avanços na compreensão da maculopatia miópica (MM), a sua definição e relação com o comprimento axial (CA) não estão estabelecidas. O CA foi proposto como um fator essencial na MM. O nosso objetivo foi analisar a relação entre CA, tratamento e progressão da MM em olhos míopes com CNV, com base na classificação atrofia-tração-neovascularização (ATN).
MÉTODOS: Estudo multicêntrico retrospectivo que incluiu doentes com CNV miópica tratada e seguimento mínimo de 5 anos de dois centros: Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra e ULS de São João. Os doentes foram agrupados em: miopia não patológica (nMP, CA <28 mm), miopia patológica (MP, CA ≥28 mm) e severa (sMP, CA ≥29,5 mm). Um modelo de regressão linear foi utilizado para prever a progressão da MM.
RESULTADOS: Quarenta e dois olhos (73,8% mulheres) de 42 doentes foram divididos: 12 no grupo nMP, 11 no MP e 19 no sMP. O seguimento médio foi de 127,57±43,77 meses (10,6 anos). O grupo sMP apresentou doentes mais jovens (50,84±12,86 anos) que o grupo MP (62,68±11,19 anos) (p=0,045). A espessura coroideia central (ECC) média de todos os doentes foi 79,9 ± 47,6 mm, com afinamento significativo na sMP (p=0,025) e nos olhos com estafiloma posterior (p=0,033). Uma pior AV final correlacionou-se com o aumento da idade e com o componente de atrofia (A) inicial (r=-0,34, p=0,029; r=-0,41, p=0,007). A ECC correlacionou-se com o componente A inicial (r=-0,38, p=0,036). A idade ao diagnóstico (B=0,28, p=0,016) e a presença de estafiloma (B=1,00, p=0,023) foram associadas a maior risco de progressão da MM.
CONCLUSÃO: Este estudo destaca que o desenvolvimento e a progressão da atrofia coriorretiniana não se limita à simples medição do CA. Na verdade, a idade ao diagnóstico e o estafiloma posterior foram significativamente associados à progressão da MM, e a atrofia coroideia foi associada à atrofia da retina. Isso indica que a forma tridimensional do olho, e as alterações na esclera e coroide no polo posterior, podem desempenhar um papel relevante na progressão. A nossa análise oferece novas perspetivas sobre a MM e reforça a necessidade de seguimento rigoroso desses pacientes.
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