Os Papéis Complementares da Fotorrefração e da Referenciação Clínica na Deteção de Fatores de Risco para a Ambliopia

Autores

  • Vasco Miranda Ophthalmology Department, Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal; Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, University of Porto, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0002-6066-6918
  • André Ferreira Ophthalmology Department, Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal; Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, University of Porto, Porto, Portugal; CINTESIS@RISE – Health Research Network, Faculty of Medicine, MEDCIDS, University of Porto, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0001-8577-5128
  • Ricardo Parreira Ophthalmology Department, Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal
  • João M. Beirão Ophthalmology Department, Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal; Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, University of Porto, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0001-8642-7010
  • Pedro Menéres Ophthalmology Department, Unidade Local de Saúde de Santo António, Porto, Portugal; Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, University of Porto, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0002-1989-3465

DOI:

https://doi.org/10.48560/rspo.43667

Palavras-chave:

Amblyopia/diagnosis, Child, Refraction, Ocular, Refractive Errors, Risk Factors, Vision Screening

Resumo

INTRODUÇÃO: As principais organizações de saúde recomendam o rastreio visual pelo menos uma vez entre os 3 e os 5 anos de idade. Em Portugal, para além do rastreio clínico, o programa Rastreio de Saúde Visual Infantil (RSVI) realiza um fotorrastreio aos 2 e 4 anos.

O objetivo do estudo foi comparar as características demográficas e clínicas de crianças (2-5 anos) referenciadas para um serviço de oftalmologia terciário através do programa de rastreio RSVI versus referenciação clínica padrão, e avaliar o desempenho diagnóstico de diferentes modelos para a deteção de ambliopia e dos seus fatores de risco.

MÉTODOS: Estudo observacional e transversal com 541 crianças divididas em dois grupos: Grupo de Referenciação por Rastreio (SRG, n=338), referenciado pelo RSVI; e Grupo de Referenciação Padrão (STG, n=203), referenciado por pediatras ou médicos de família. Foram comparados dados demográficos, clínicos e refrativos. A performance de modelos de rastreio que combinam fotorrastreio (critérios RSVI e AAPOS 2021), acuidade visual não corrigida (AVNC) e estereopsia foi avaliada com análise ROC.

RESULTADOS: O grupo SRG era mais novo (p<0,001) e apresentou maior prevalência de erros refrativos hipermetrópicos (85,5% vs 54,2%), maior equivalente esférico e maior anisometropia (p<0,001). O grupo STG apresentou uma prevalência superior de estrabismo (19,2% vs 1,8%, p<0,001). A taxa global de ambliopia foi semelhante (6,5% vs 6,7%), sendo predominantemente refrativa no SRG e estrábica/mista no STG. Um modelo que combina os critérios de fotorrastreio da AAPOS com AVNC e estereopsia demonstrou a maior precisão diagnóstica para ambliopia (AUC 0,932). A combinação dos critérios RSVI com AVNC e estereopsia foi superior ao RSVI isoladamente para a deteção de ambliopia, estrabismo ou necessidade de óculos (AUC 0,913 vs 0,760).

CONCLUSÃO: O fotorrastreio e a referenciação clínica são vias complementares que identificam populações de doentes distintas. O fotorrastreio é eficaz a detetar erros refrativos ambliogénicos em crianças mais novas, enquanto a suspeita clínica é crucial para identificar estrabismo. Estratégias de rastreio multimodais podem melhorar a eficácia do programa.

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Publicado

2026-06-13

Como Citar

Miranda, V., Ferreira, A., Parreira, R., M. Beirão, J., & Menéres, P. (2026). Os Papéis Complementares da Fotorrefração e da Referenciação Clínica na Deteção de Fatores de Risco para a Ambliopia. Revista Sociedade Portuguesa De Oftalmologia, 50(2), 147–157. https://doi.org/10.48560/rspo.43667

Edição

Secção

Artigos Originais