Angiografia Fluoresceínica na Uveíte: Ainda um Gold Standard

Autores

  • João Romana Ophthalmology Department, Hospital Egas Moniz, Lisboa, Portugal https://orcid.org/0009-0000-4991-0767
  • Alberto Ribas Ophthalmology Department, Hospital Egas Moniz, Lisboa, Portugal
  • Manuel Tavares Correia Ophthalmology Department, Hospital Egas Moniz, Lisboa, Portugal
  • Nuno Campos Ophthalmology Department, Hospital Garcia de Orta, Almada, Portugal; Ophthalmology Department, Hospital CUF Tejo, Lisboa, Portugal
  • Marta Guedes Ophthalmology Department, Hospital Egas Moniz, Lisboa, Portugal; Ophthalmology Department, Hospital CUF Tejo, Lisboa, Portugal https://orcid.org/0000-0001-5442-5571

DOI:

https://doi.org/10.48560/rspo.43673

Palavras-chave:

Angiografia Fluoresceínica, Uveite/diagnóstico por imagem

Resumo

INTRODUÇÃO: Apesar do desenvolvimento de novas técnicas de imagem, como a tomografia de coerência ótica (OCT) e a angiografia por OCT (OCTA), a angiografia fluoresceínica (AF) continua a ser um exame de referência na avaliação da uveíte, permitindo detetar extravasamento vascular, áreas de isquemia e vasculite retiniana. Este estudo teve como objetivo caracterizar a utilização da AF na prática clínica de oftalmologistas portugueses com experiência em inflamação ocular e avaliar a capacidade destes em prever alterações angiográficas com base exclusivamente em retinografias a cores.

MÉTODOS: Foi realizado um estudo observacional composto por duas partes. A primeira consistiu num questionário constituído por cinco perguntas sobre as indicações clínicas para realização de AF em doentes com uveíte. Na segunda parte, um subgrupo de participantes analisou 17 retinografias consecutivas de doentes com uveíte, classificando a probabilidade de alterações na AF e selecionando os achados angiográficos que antecipavam encontrar.

RESULTADOS: Foram obtidas dez respostas ao questionário clínico. Sessenta por cento dos oftalmologistas realizam AF no diagnóstico quando existe suspeita de envolvimento do segmento posterior e 80% recorrem à AF no seguimento da vasculite retiniana. A maioria (60%) considerou um intervalo de 3 a 6 meses adequado entre exames de seguimento e 70% identificou o embainhamento vascular como o achado fundoscópico mais bem caracterizado pela AF. Na análise das imagens, oito participantes completaram a avaliação de 17 casos. A concordância total entre observadores verificou-se apenas em 23,5% das imagens. A precisão média das previsões foi de 64,71%. As lesões focais foram as mais facilmente reconhecidas, enquanto a vasculite retiniana foi subestimada (32,5% de respostas corretas) e as lesões periféricas foram as mais difíceis de antecipar (0% de acerto em dois casos).

CONCLUSÃO: A AF mantém um papel central na abordagem diagnóstica e monitorização da uveíte, sendo amplamente utilizada por especialistas portugueses em inflamação ocular. Este estudo demonstra que, apesar da experiência clínica dos participantes, a avaliação baseada apenas em retinografias não permite identificar de forma fiável alterações angiográficas, reforçando a importância da AF na deteção de inflamação subclínica e na orientação terapêutica.

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Referências

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Publicado

2026-06-13

Como Citar

Romana, J., Ribas, A., Tavares Correia, M., Campos, N., & Guedes, M. (2026). Angiografia Fluoresceínica na Uveíte: Ainda um Gold Standard. Revista Sociedade Portuguesa De Oftalmologia, 50(2), 141–146. https://doi.org/10.48560/rspo.43673

Edição

Secção

Artigos Originais