Uma aproximação à genealogia da perturbação borderline da personalidade
DOI:
https://doi.org/10.25752/psi.11980Palavras-chave:
Perturbação borderline da personalidade, Psiquiatria/classificação, Psicanálise, AnomiaResumo
Introdução: A perturbação borderline da personalidade surge na ausência de uma categoria para classificar pessoas que se encontravam entre o diagnóstico de neurose e psicose e tem, desde o seu nascimento, sofrido modificações na sua definição e aplicação clínica.
Objectivos: Este artigo tem por objectivo traçar a genealogia da perturbação borderline da personalidade de modo a ensaiar hipóteses para o surgimento desta categoria diagnóstica.
Métodos: Com base numa revisão da literatura, foi efectuada uma leitura crítica da evolução da categoria borderline na psiquiatria.
Resultados: A evolução do conceito pode ser definida ao longo de três fases: desde o final do XIX ao início do século XX são usadas múltiplas terminologias e o diagnóstico é heterogéneo; de 1960 a 1980 surge o conceito de organização borderline da personalidade e a sua sistematização segundo a teoria psicanalítica; desde 1980 até à actualidade ocorre a entrada na DSM III e a homogeneização do diagnóstico sob a égide da biopsiquiatria. Os limites entre as diferentes fases do conceito são fluídos e dependem das condições socio-políticas associadas. Para o nascimento da doença em análise são ensaiadas várias hipóteses: criação de novos sujeitos-psíquicos, melhor acesso à saúde mental e identificação da doença, governamentalidade biopolítica, identificação de comportamentos anteriormente não considerados patológicos, descontinuidade social, nova expressão de sofrimento e contágio social.
Conclusão: A perturbação borderline da personalidade resulta de práticas, representações, interacções sociais e modos de subjectificação, onde ocorre uma nova relação entre as ideias de corpo e identidade.
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