Melhoria da qualidade na transição do hospital para os cuidados de saúde primários: proposta de um protocolo de enfermagem com integração de teleconsulta
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47589Keywords:
Transição hospital-comunidade; Continuidade dos cuidados; Teleconsulta; Segurança do utente; Enfermagem de saúde comunitáriaAbstract
Introdução: A transição do hospital para os cuidados de saúde primários (CSP) constitui um momento crítico do percurso assistencial, associado a risco acrescido de descontinuidade de cuidados, eventos adversos e reinternamentos evitáveis (Tyler et al., 2023). Apesar da integração estrutural promovida pelas Unidades Locais de Saúde (ULS) (Decreto-Lei n.º 102/2023, persistem desafios na articulação funcional entre níveis de cuidados). Neste contexto, a implementação de intervenções estruturadas de enfermagem, complementadas por soluções digitais, poderá contribuir para uma transição mais segura e eficiente.
Objetivos: Desenvolver um protocolo de enfermagem para a transição hospital–CSP, integrando a teleconsulta como estratégia complementar de acompanhamento pós-alta, com vista à melhoria da continuidade, segurança e qualidade dos cuidados.
Metodologia: Estudo de natureza teórico-conceptual, sustentado numa revisão narrativa da literatura e enquadrado na Teoria das Transições de Afaf Meleis (Meleis, 2010), em documentos normativos nacionais e em recomendações internacionais sobre qualidade e segurança dos cuidados. O protocolo foi desenvolvido segundo uma abordagem de melhoria contínua da qualidade, contemplando critérios de inclusão, estratificação de risco, fluxo operacional, intervenções de enfermagem e indicadores de monitorização.
Resultados: Foi desenvolvido um protocolo estruturado em três fases: planeamento pré-alta, articulação hospital–CSP e acompanhamento pós-alta. O protocolo integra avaliação multidimensional, reconciliação terapêutica, comunicação estruturada entre equipas e seguimento diferenciado de acordo com o risco clínico, funcional e social. A teleconsulta de enfermagem foi incorporada como estratégia complementar ao acompanhamento presencial, permitindo contacto precoce após a alta, monitorização da adesão terapêutica, identificação de sinais de descompensação e reforço da capacitação do utente e cuidador. Foram definidos indicadores de processo, resultado e satisfação, orientados para a monitorização da continuidade assistencial, segurança do utente e qualidade dos cuidados.
Conclusões: O protocolo proposto constitui um instrumento operacional e teoricamente sustentado para apoiar a transição hospital–CSP. A integração da teleconsulta apresenta potencial para reforçar a acessibilidade, a continuidade dos cuidados e a segurança do utente, contribuindo para a melhoria da qualidade assistencial no contexto das ULS.
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