Tecnologias digitais como estratégia de continuidade do cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial: relato de experiência
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47883Palavras-chave:
Telesaúde; Atenção psicossocial; Saúde mental; Continuidade do cuidado; Tecnologias digitaisResumo
A incorporação de tecnologias digitais aos serviços de saúde mental tem ampliado possibilidades de comunicação entre usuários e equipas de cuidado. No contexto da atenção psicossocial, ferramentas de uso quotidiano podem favorecer a continuidade do acompanhamento, o fortalecimento do vínculo terapêutico e a identificação precoce de situações de vulnerabilidade clínica e social.
Objetivos: Descrever a utilização de recursos de comunicação digital como estratégia complementar de cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) brasileiro e refletir sobre as suas contribuições para a assistência em saúde mental.
Metodologia: Relato de experiência fundamentado na atuação profissional em um CAPS da Rede de Atenção Psicossocial, desenvolvido no período de agosto de 2023 a maio de 2024, envolvendo aproximadamente 25 usuários com transtornos mentais graves e persistentes. Foram analisadas situações observadas no quotidiano do serviço em que ferramentas digitais de comunicação instantânea foram utilizadas para favorecer o acompanhamento de usuários com transtornos mentais graves e persistentes. A recolha de informação foi realizada por meio de observação sistemática da prática cotidiana, análise de registros clínicos e anotações em diário de campo. Os dados foram examinados a partir de uma abordagem qualitativa e reflexiva.
Resultados: Os recursos digitais, em especial o WhatsApp, foram utilizados para confirmação de consultas, organização de atendimentos, comunicação de informações relacionadas ao tratamento, teleconsultas através de chamada de vídeo e manutenção do contacto entre usuários e equipa multiprofissional. Observou-se que tais ferramentas favoreceram a adesão ao acompanhamento, permitiram identificar sinais precoces de descompensação clínica, facilitaram o acolhimento de situações de crise e subsidiaram decisões relativas à intensificação do cuidado, incluindo visitas domiciliares e outras intervenções territoriais. Além disso, constituíram importante dispositivo para a manutenção do vínculo entre os usuários e o serviço, especialmente em períodos de maior vulnerabilidade psicossocial.
Conclusões: Tecnologias digitais amplamente acessíveis podem desempenhar papel relevante na continuidade do cuidado em saúde mental comunitária. Quando integradas às práticas da atenção psicossocial, favorecem a comunicação, a acessibilidade e o acompanhamento longitudinal dos usuários. A experiência relatada sugere que o uso ético e planejado desses recursos pode fortalecer estratégias de cuidado territorial e ampliar as possibilidades de intervenção nos serviços de saúde mental.
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