O encontro terapêutico na era digital: desafios da presença e da construção de sentido em psicoterapia online
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47886Palavras-chave:
telepsicologia, relação terapêutica, psicoterapia online, sentido da vida, saúde mentalResumo
A utilização crescente de tecnologias digitais em saúde mental tem suscitado debates sobre a qualidade do vínculo terapêutico e sobre as possibilidades de construção de sentido em contextos clínicos mediados por plataformas virtuais. Apesar das transformações tecnológicas, a relação terapêutica permanece um dos principais fatores associados à efetividade do cuidado psicológico.
Objetivos: Refletir sobre os desafios e potencialidades do encontro terapêutico em contextos de psicoterapia online a partir da experiência clínica em teleatendimento.
Metodologia: Relato de experiência clínica baseado em 20 atendimentos psicológicos remotos realizados entre 2020 e 2024, por meio das plataformas Google Meet e Zoom. Foram analisadas situações recorrentes relacionadas à construção do vínculo terapêutico, à presença psicológica e à elaboração de sentidos em contexto digital. A análise foi conduzida de forma reflexiva e qualitativa, a partir de registros e anotações clínicas produzidos ao longo do período.
Resultados: Observou-se que a qualidade da relação terapêutica mostrou-se mais dependente da disponibilidade emocional, da autenticidade e da capacidade de escuta do terapeuta do que da copresença física. A psicoterapia online possibilitou continuidade assistencial, ampliação do acesso aos serviços e manutenção do acompanhamento em situações de deslocamento geográfico ou limitação de mobilidade. Identificaram-se, contudo, desafios relacionados à privacidade, à fadiga digital e às limitações comunicacionais inerentes aos meios tecnológicos.
Conclusões: O encontro terapêutico permanece possível e clinicamente relevante em ambientes digitais. A experiência relatada sugere que a telepsicologia não representa apenas uma adaptação técnica do atendimento presencial, mas exige reflexão contínua sobre os fundamentos relacionais da prática clínica e sobre as formas de construção de sentido na contemporaneidade.
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia – RACS

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.







