Mindfulness digital na saúde mental perinatal: síntese de evidência e implicações para a enfermagem em saúde materna e obstétrica
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8iSupIII.47488Palavras-chave:
Mindfulness; Telesaúde; Saúde mental perinatal; Enfermagem obstétrica; Pós-partoResumo
Introdução: A saúde mental perinatal constitui uma prioridade clínica e organizacional, pelo impacto dos sintomas depressivos, ansiosos e de stress na mulher, recém-nascido e família. As intervenções baseadas em mindfulness têm sido estudadas como recurso complementar, sobretudo em mulheres com vulnerabilidade psicológica, e as modalidades digitais podem ampliar acessibilidade, continuidade e personalização dos cuidados (Yan et al., 2022; Anyanwu e Jenkins, 2024).
Objetivos: Sintetizar a evidência sobre intervenções baseadas em mindfulness, incluindo formatos digitais ou suportados por tecnologia, na saúde mental perinatal, discutindo implicações para a prática de enfermagem em saúde materna e obstétrica.
Material e Métodos: Foi desenvolvida uma umbrella review, orientada pela metodologia PRISMA 2020, com pesquisa em PubMed de revisões sistemáticas e meta-análises publicadas nos últimos dez anos. A qualidade metodológica foi apreciada com AMSTAR 2 e a sobreposição de estudos primários foi analisada através do Corrected Covered Area.
Resultados: Foram identificados 69 registos, dos quais 13 revisões cumpriram critérios de elegibilidade; 10 integraram a síntese principal sobre gravidez e pós-parto. A evidência sugere benefícios mais consistentes na redução de sintomas depressivos, com efeitos também favoráveis, embora menos homogéneos, na ansiedade e no stress. Os benefícios parecem mais robustos em mulheres com sintomatologia ou vulnerabilidade psicossocial. As intervenções digitais e suportadas por tecnologia apresentam potencial de escalabilidade, mas a heterogeneidade metodológica, a variabilidade da qualidade dos estudos e as lacunas de implementação limitam conclusões definitivas (Worku et al., 2025).
Conclusões: O mindfulness não deve ser entendido como solução universal, mas como intervenção complementar integrada em modelos graduados de cuidados perinatais. A enfermagem em saúde materna e obstétrica pode assumir papel central na triagem, orientação, monitorização e articulação de intervenções digitais seguras, humanizadas e baseadas na evidência.
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