“Estou realmente a fazer o suficiente?” Mães e pais ganeses transnacionais e processos de regularização em Portugal
DOI:
https://doi.org/10.7458/SPP202611143923Palavras-chave:
maternidade e paternidade transnacionais, género, regularização, ganeses em PortugalResumo
O artigo compara as experiências de mães e pais ganeses em Portugal, analisando o estatuto legal e as expectativas culturais. Mostra como estes fatores se cruzam e moldam experiências de género associadas à ideia de “fazer o suficiente” enquanto pais transnacionais. As experiências são analisadas com base em entrevistas qualitativas e nos enquadramentos das geografias de poder de género e da materialidade do cuidado. Evidencia-se como ambos mantêm laços emocionais e materiais através das fronteiras, por meio de redes de cuidado, ao mesmo tempo, que as políticas migratórias estruturam limitações à reunificação familiar. Na parentalidade transnacional, os participantes lidam com a reprodução e a reconfiguração das expectativas de género: por um lado, as mães contribuem para a melhoria do bem-estar material através do envio de remessas, enfrentando, contudo, um significativo desgaste emocional; por outro, os pais, frequentemente avaliados em função da sua provisão económica, podem vir a assumir papéis de cuidado. Num contexto de crescente presença de migrantes africanos na Europa, o estudo oferece contributos pertinentes para a compreensão das políticas de regularização e das dinâmicas de cuidado em famílias transnacionais.
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