Avaliação do Preenchimento da Informação Clínica na Requisição de Exames de Imagem: Um Estudo Retrospetivo num Hospital Português
DOI:
https://doi.org/10.25748/arp.32885Resumo
Introdução: Reconhecendo a importância dos exames de imagem na prática clínica e a impactante influência da informação clínica fornecida na qualidade do relatório radiológico produzido, propusemo-nos a estudar as práticas relacionadas com a completude dos campos de preenchimento obrigatório nas requisições dos exames de imagem pelos médicos de um hospital português.
Materiais e métodos: Realizámos uma análise retrospetiva de 2930 exames de imagem requisitados durante o mês de maio de 2022 pelos médicos do nosso hospital, tendo sido incluídas ecografias, tomografias computorizadas e ressonâncias magnéticas. Os dados foram categorizados com base no preenchimento da informação fornecida (completa/incompleta/ausente), local de origem da requisição (consulta externa; hospital de dia; internamento; urgência), exame solicitado e região anatómica avaliada. A associação entre variáveis foi avaliada utilizando a análise qui-quadrado de Pearson.
Resultados: Das 2930 requisições de exames de imagem, 71,4% foram acompanhadas de informação clínica adequadamente preenchida, 27,3% das requisições preenchidas de forma incompleta e 1,3% com informação ausente. O exame mais frequentemente solicitado foi a tomografia computorizada correspondendo a 68,1%. Foram identificadas associações significativas (p<0,05) entre a adequação do preenchimento da informação clínica e método de imagem requisitado, assim como entre o local de origem da requisição do exame e a completude da informação clínica e qual a informação em falta. A informação clínica foi mais frequentemente preenchida de forma adequada nas requisições originadas na consulta externa 73,4%.
Discussão: O facto de no nosso hospital nem todas as requisições serem acompanhadas de informação clínica adequadamente preenchida, mostra que existe espaço para otimização das práticas de preenchimento vigentes. Também a compreensão dos fatores com impacto no seu adequado preenchimento permite-nos desenvolver formas de atuação com vista à otimização dos recursos disponíveis. Algumas das medidas implementadas passam por programas de sensibilização e capacitação assim como adoção de sistemas de informação eletrónicos facilitadores desse processo. Além disso, é crucial promover uma comunicação aberta entre radiologistas e clínicos.
Conclusão: Os nossos resultados sublinham a necessidade de melhorar a comunicação e formação no processo de solicitação de exames de imagens para aprimorar a qualidade dos cuidados de saúde prestados no nosso hospital.
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