Radiografia Abdominal no Serviço de Urgência – Rotina ou Verdadeira Necessidade?
DOI:
https://doi.org/10.25748/arp.43536Palavras-chave:
Critérios de adequação, Radiação, Radiografia Abdominal, Serviço de UrgênciaResumo
Introdução: A dor abdominal é uma causa frequente de recurso ao serviço de urgência, sendo a sua abordagem desafiante por ser um sintoma inespecífico e com extenso espetro etiológico. Apesar da sua ampla utilização neste contexto, a radiografia abdominal tem baixa sensibilidade, limitando a sua utilidade clínica, com potenciais implicações terapêuticas, e reduzido valor diagnóstico. Este estudo avalia a adequação dos exames de radiografia abdominal num serviço de urgência, com base nas diretrizes do Royal College of Radiologists.
Materiais e métodos: Foi realizada uma análise retrospetiva aos pedidos de radiografia abdominal realizados no serviço de urgência, considerando as variáveis: género e idade do doente, informação clínica, hipótese diagnóstica, adequação do exame radiológico, incidência realizada, adequação da incidência realizada, realização de exame radiológico adicional e tipo de exame adicional.
Resultados: Foram avaliadas 2002 requisições de radiografia abdominal, de entre as quais 47,1% continha informação clínica, e 52,9% não dispunha desta informação. Entre os 943 pedidos contendo informação clínica, em 19,4% dos casos foi possível estabelecer uma hipótese diagnóstica a partir dos dados fornecidos. Dos exames contendo informação clínica, foram considerados adequados 16,7%.
Conclusão: Este estudo revelou que a utilização inadequada da radiografia abdominal no serviço de urgência, constitui um fator de exposição evitável dos doentes a radiação ionizante. Os resultados reforçam a necessidade de definir diretrizes consistentes e estratégias que orientem o uso criterioso deste exame, equilibrando a proteção contra exposições desnecessárias à radiação com a otimização dos recursos em saúde.
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