O medievalismo em A Segunda Vida de Francisco de Assis, de José Saramago
Imagens difusas da memória franciscana
DOI:
https://doi.org/10.31447/39673Palavras-chave:
Medievalismo, José Saramago, Francisco de Assis, hagiografiaResumo
Com base nos estudos de medievalismo, e tomando a Idade Média como instrumento heurístico, analisam-se os mecanismos ficcionais que sustentam o mundo possível criado no drama Francisco de Assis, de José Saramago, os sentidos que o presente da escrita impôs ao passado e como esse passado comunicou com o presente. Neste percurso, explicitam-se as transformações a que foram sujeitas as figuras que habitaram a vida de Francisco de Assis, no processo de atualização, em chave materialista e por vezes instrumentalizada, dos conflitos que enfrentaram. O confronto do protagonista com a história e com a hagiografia medievais permite clarificar os desvios intencionais e ideologicamente motivados que estão na origem da redução da personagem a um defensor maníaco da pobreza, negligenciando a fraternidade compensatória que o unira aos excluídos, cuja situação se agravara e que, muito sintomaticamente, despertava um regresso à simplicidade evangélica.
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