Tratos e contratos: actividades, interesses e orientações dos investimentos dos negociantes da praça de Lisboa (1755-1822)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1996136.05Palavras-chave:
negociantes de Lisboa, actividades e interesses do grupo, hierarquia das fortunas, volume de negócios, estatuto legalResumo
Os negociantes de Lisboa, que constituíam um grupo social diferenciado e com estatuto legal próprio, caracterizavam-se por desenvolverem actividades de natureza capitalista e extremamente diversificadas: foi o que a análise da composição das suas fortunas (geralmente consideráveis), de que as dívidas activas formavam o principal elemento, permitiu confirmar. Este padrão de actividades e interesses identificava o grupo no conjunto, apesar de uma pronunciada hierarquia das fortunas e do volume de negócios, os contratos com a Coroa ajudavam em especial a sustentar. A circulação dos seus capitais sustentava um amplo conjunto de especulações: comércio por grosso e a longa distância, particularmente com os domínios ultramarinos e o Oriente; navegação; operações de crédito; seguros; arrematação de contratos e monopólios públicos; empreendimentos manufactureiros. Procuravam as actividades mais lucrativas (ainda que geralmente usassem uma contabilidade que lhes permitisse confrontar capital e lucro), mas não deixavam também de resguardar uma parcela dos seus bens, adquirindo propriedades (em especial prédios urbanos) e títulos de rendimento garantido. Nem por isso se transformavam em proprietários ou usufrutuários de rendas, visto que tais investimentos ou mesmo algum consumo ostentatório retiravam da circulação mercantil uma pequena fracção dos fundos e não prejudicavam o prosseguimento das suas actividades.

