O emergir das associações industriais no Porto (meados do século XIX)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1996136.12Palavras-chave:
associativismo industrial, Porto, Associação Industrial do Porto, Associação Comercial do Porto, indústria textilResumo
O principal objectivo deste artigo é revelar a emergência do associativismo industrial no Porto (no 2.° quartel do século XIX). Desde 1834, a Associação Comercial do Porto era a única representante dos interesses económicos na sua globalidade, incluindo os industriais. Em 1838, a Associação Artista e Industrial da Cidade do Porto emerge como uma associação industrial específica, liderada por industriais têxteis, mas não conseguiu ser legalizada, apesar dos sucessivos requerimentos ao governo cartista. As verdadeiras razões podemos descortiná-las nas conotações setembristas da nova associação e nas pressões da Associação Comercial do Porto. Em 1849, outros círculos industriais, incluindo engenheiros da Academia Politécnica conscientes do atraso tecnológico, criaram a Associação Industrial Portuense, mas só em 1852 a nova situação política (regeneração) foi favorável à sua legalização. Neste contexto, a Associação Comercial do Porto e alguns industriais têxteis criaram a Associação Industrial do Porto, tentando causar embaraços àquela aprovação e, assim, fraccionar o associativismo industrial. Esta conflitualidade ajuda a compreender a debilidade do associativismo industrial no Porto até à década de 1890.

