Os industriais de cerâmica: Aveiro, 1882-1923
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1996136.16Palavras-chave:
Aveiro, cerâmica de construção, cerâmica de louça doméstica e decorativa, cerâmica de azulejo, empresas de cerâmica, 1882-1923Resumo
No período que medeia entre 1882 e 1923 nasceram em Aveiro cinco unidades de cerâmica de construção e outras tantas de fabrico de louça doméstica e decorativa e azulejo. Entre estas últimas tem um papel decisivo a Fábrica de Louça da Fonte Nova, cujo papel decisivo viria a ser assumido, depois, pela Fábrica Aleluia. Entre as empresas de telha e tijolo, tanto pelo volume dos capitais envolvidos como pela natureza do projecto que transformaria a sociedade por quotas em sociedade anónima em 1923, merece um lugar de destaque a fábrica de Jerónimo Pereira Campos & Filhos. Os homens que dirigiram estas empresas (bem como todos os sócios restantes) têm uma formação e proveniência sócio-profissional muito diversa. A direcção das empresas era dividida de forma vaga em dois tipos de competências: «técnica» e «comercial». Essa imprecisa «departamentalização» e as inerentes hesitações terminológicas testemunham o declínio da importância do mestre de cerâmica (pintor ou modelador) e a concomitante emergência da direcção unitária do «capitão de indústria». Mudança mais evidente no subsector do barro vermelho do que no do barro branco, onde o empresário só muito lentamente deixou de ser o pintor principal, onde as oficinas mais lentamente deram lugar à fábrica. Apesar da natureza das sociedades, as estratégias delineadas pelos dirigentes visavam o reforço da posição das suas famílias.

