Negócios e crédito: complexidade e flexibilidade das práticas creditícias (século XV)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1996136.17Palavras-chave:
comércio português, mecanismo comerciais de crédito, mercadores portugueses, século XVResumo
É por todos conhecido que, desde o século XIV, o comércio português ganhou uma importância decisiva para a economia do reino. Mas, ao analisar vários mecanismos comerciais de finais da Idade Média, em especial os ligados ao crédito, torna-se evidente que as formas da sua utilização estavam condicionadas por elementos de vária ordem, alguns estranhos ao próprio comércio. Assim, se os comerciantes portugueses conheciam diferentes mecanismos e práticas comerciais comuns na Europa, a acção da Coroa, incluindo o seu peso no contexto economia nacional, retirou aos particulares a possibilidade de se envolverem nas práticas mais rentáveis da Europa e que abria caminho à constituição de poderosas casas bancárias. Ao mesmo tempo, se essa limitação implicava alguma fragilidade financeira, ela trazia vantagens comparativas, tornando os capitais mais ágeis, subtraindo-os, exemplo, a alguns circuitos ruinosos, como o crédito a casas senhoriais. Condicionados pela Igreja ou pela Coroa, pressionados pela concorrência estrangeira, impossibilitados, pela dimensão dos seus negócios, de mobilizarem capitais suficientes para a organização de bancos, mas conhecedores do mercado, os mercadores portugueses foram desenvolvendo os métodos e as práticas que melhor se adaptavam à sua realidade. São estes que se pretendem observar.

