Portugal e o passado: política agrária, grupos de pressão e evolução da agricultura portuguesa durante o Estado Novo (1950-1973)
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.1994128.06Palavras-chave:
agricultura portuguesa, 1950-1973, política agrária do Estado Novo, corrente antilatifundiáriaResumo
Faz-se neste artigo um resumo dos principais traços da evolução da agricultura portuguesa entre 1950 e 1973, bem como das mais importantes medidas de política agrária do Estado Novo no mesmo período. Procura-se mostrar que, nesta última matéria, várias eram as facções do pessoal político do regime, nelas se contando, inclusivamente, uma forte corrente antilatifundiária e pró-reforma agrária. Sabe-se que os propósitos reformistas nunca foram concretizados, mas a verdade é que estiveram mais perto de o serem do que por vezes se julga. O lobby da grande lavoura alentejana viria, porém, a opor-se com êxito a eles. Esta grande lavoura, no entanto, se no início do período em estudo podia ser considerada atrasada, a partir dos anos 60 começara a modernizar-se parcialmente, arrastada pela industrialização do país. Em 1973 a economia portuguesa havia-se transformado radicalmente, cabendo nela à agricultura um papel francamente secundário. A modernização da dita agricultura era já um facto inequívoco, mas, tanto quanto se consegue vislumbrar, parece ter sido insuficiente para as solicitações de uma economia crescentemente industrializada e urbanizada.

