Política externa e política interna no Portugal de 1890: o Ultimatum Inglês
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198798.02Palavras-chave:
Ultimatum Inglês, política externa, conflito diplomático, política interna, levantamento patrióticoResumo
A historiografia portuguesa tem abordado o Ultimatum de dois pontos de vista distintos e quase sempre independentes. Por um lado, do ponto de vista da política externa - o conflito diplomático e as negociações bilaterais tendentes à sua resolução. Por outro, do ponto de vista da política interna - o levantamento patriótico, - a luta anti-inglesa e antimonárquica em prol do ideal republicano. Isto, sem dar conta de que a especificidade do Ultimatum reside justamente nessa relação interno/externo. O Ultimatum é um acontecimento de política externa - pelas suas causas diplomático-coloniais - que se transforma e ganha relevo como acontecimento de política interna - pelos seus efeitos político-ideológicos. Neste sentido, o objectivo central deste estudo constitui-se como a análise da relação política externa/política interna nesse momento decisivo da história contemporânea portuguesa que foi o Ultimatum Inglês de 1890. A primeira parte procura determinar a dinâmica externa: a política externa portuguesa, a questão colonial e as origens do conflito. A segunda parte procura determinar a dinâmica interna: a reacção nacional ao incidente diplomático e as suas consequências, tanto no que diz respeito ao poder político como à opinião pública.

