Alguns problemas de teoria das classes sociais
DOI:
https://doi.org/10.31447/AS00032573.198166.03Palavras-chave:
teoria das classes sociais, estudo das trajectórias sociais, definição do grupo domésticoResumo
A teoria das classes constitui um quadro de pesquisa estratégico da realidade social, sem lugar disciplinar específico de origem nem campo de aplicação exclusivo. Ela pode globalmente contribuir para a análise das estruturas e dos processos sociais, para a explicação de práticas socialmente relevantes e para a identificação dos respectivos portadores, dos protagonistas essenciais dessas práticas. Não se trata, neste artigo, de tentar proceder ao impossível inventário sistemático das múltiplas variantes produzidas no âmbito da teoria das classes, tantas vezes entre si incoerentes ou contraditórias e referenciadas a diversos quadros epistemológicos e teóricos. Trata-se antes de procurar centrar alguns dos problemas de cuja solução depende a adequada operacionalização da teoria, a sua eficaz utilização como instrumento de pesquisa. É assim que a distinção analítica entre lugares estruturais de classe e agentes que ocupam tais lugares parece constituir condição para entender os limites historicamente impostos ao surgimento de cada nova conjuntura, bem como os processos de produção prática do social. Também o estudo das trajectórias sociais e dos seus efeitos de inculcação de disposições nos agentes (os processos complexos de «socialização») é um momento necessário para a explicação das práticas, já que estas se não podem nunca deduzir a partir de um certo estado da estrutura. Por último, a definição do grupo doméstico, em vez do indivíduo isolado, como unidade de análise da teoria, contribui não só para uma melhor apreensão dos contornos das classes, como se afigura mais pertinente na captação das respectivas estratégias.
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